A Folha de S.Paulo publicou em junho de 2026 uma reportagem que mostra como os golpes com inteligência artificial chegaram a um nível assustador no Brasil. A plataforma Sumsub, especializada em detecção de fraudes, registrou um **aumento de 126%** nos golpes envolvendo deepfakes no país em apenas um ano.
Um caso concreto ilustra bem o perigo: Giovani Sella, estudante de tecnologia de 22 anos, caiu em um golpe que usou a voz clonada do cantor L7nnon em um quiz falso. Mesmo sendo da área de tecnologia, ele não percebeu a fraude e acabou perdendo dinheiro via Pix.
Os criminosos coletam áudios, vídeos e fotos das redes sociais para treinar programas de IA que imitam com precisão a voz e até o rosto de familiares. Em videochamadas, usam softwares que projetam um rosto falso em tempo real — tornando quase impossível perceber que não é a pessoa real. O Brasil responde por **40% de todos os ataques de deepfake registrados na América Latina**.
## Como se proteger
- **Crie uma palavra-passe familiar**: combine com seus parentes uma palavra secreta que só vocês conhecem. Se alguém ligar pedindo dinheiro urgente, peça essa palavra antes de qualquer coisa.
- **Desligue e ligue de volta**: se receber uma chamada suspeita de um familiar pedindo dinheiro, desligue e ligue para o número que você já tem salvo para confirmar.
- **Desconfie de urgência**: golpistas criam pressão emocional ("estou em apuro, precisa ser agora!"). Respire fundo e verifique antes de agir.
- **Não compartilhe muitos áudios e vídeos públicos**: quanto menos material disponível nas redes sociais, mais difícil fica para os criminosos clonarem sua voz ou rosto.
- **80% dos brasileiros já viram deepfakes, mas só 29% conseguem identificá-los** — então não confie apenas nos seus olhos e ouvidos.
## O que fazer se você já caiu no golpe
1. **Ligue imediatamente para o seu banco** e informe a transferência fraudulenta. Peça para acionar o **MED (Mecanismo Especial de Devolução)** do Pix — ele permite rastrear e tentar recuperar o dinheiro.
2. **Registre um Boletim de Ocorrência** na delegacia mais próxima ou pela internet (Delegacia Online do seu estado). Faça isso nas primeiras 24 horas.
3. **Guarde todas as provas**: prints de conversas, áudios recebidos, comprovantes de transferência e horários.
4. **Avise seus contatos** que seu perfil pode ter sido usado para aplicar golpes em outras pessoas.
5. **Procure orientação jurídica** — em muitos casos, os bancos podem ser responsabilizados se não bloquearam uma transação atípica.
Fonte/referência: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/06/golpistas-enganam-ate-especialistas-com-videos-vozes-e-imagens-falsas.shtml
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