Você já imaginou receber um vídeo do seu filho ou da sua mãe pedindo uma transferência urgente — e o vídeo ser completamente falso, criado por um criminoso com um aplicativo de celular? Isso está acontecendo no Brasil, e em ritmo acelerado.
Segundo levantamento da empresa de verificação de identidade Unico, os chamados **"deepfakes caseiros"** cresceram **400% no primeiro semestre de 2026** em comparação com o mesmo período do ano anterior. A reportagem do O Globo mostra que o perfil do golpista mudou: não é mais só um hacker sofisticado, mas qualquer pessoa com acesso a um aplicativo de IA.
## O que é um deepfake caseiro?
Deepfake é um vídeo criado ou manipulado por inteligência artificial para mostrar o rosto de uma pessoa dizendo ou fazendo algo que nunca aconteceu. Antes, criar um deepfake convincente exigia conhecimento técnico avançado. Hoje, existem aplicativos simples e gratuitos que qualquer pessoa consegue usar.
Os criminosos usam fotos e vídeos de familiares ou conhecidos da vítima — muitas vezes retirados das redes sociais — para criar vídeos falsos. O objetivo é enganar:
- **Sistemas de "prova de vida"** de bancos e financeiras, para abrir contas, fazer saques ou contratar empréstimos em nome de outra pessoa.
- **A própria vítima**, enviando um vídeo falso de um familiar pedindo dinheiro com urgência.
No primeiro semestre de 2026, a Unico afirma ter bloqueado **R$ 19,6 bilhões em tentativas de fraude** — crescimento de 23% em relação ao ano anterior.
O Brasil concentra **39% dos casos de deepfake registrados na América Latina** e teve aumento de 126% nos ataques com imagens, vozes e identidades falsas em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
## Como se proteger
- **Combine uma palavra-código com sua família.** Se alguém ligar ou mandar vídeo pedindo dinheiro com urgência, peça que diga a palavra combinada. Golpistas não saberão qual é.
- **Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro por vídeo ou áudio**, mesmo que a voz ou o rosto pareçam familiares. Ligue diretamente para a pessoa pelo número que você já tem salvo.
- **Não publique vídeos longos de rosto nas redes sociais** sem necessidade — eles podem ser usados para criar deepfakes.
- **Ative a verificação em duas etapas** em todos os seus aplicativos bancários e financeiros.
- **Desconfie de aplicativos que pedem "prova de vida" por vídeo** fora dos canais oficiais do banco.
## O que fazer se você já caiu no golpe
1. **Entre em contato com o banco imediatamente** para bloquear transações e acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix — você tem até 80 dias.
2. **Registre um Boletim de Ocorrência** e guarde todas as evidências: o vídeo falso recebido, prints de conversas e comprovantes de transferência.
3. **Avise a pessoa cujo rosto foi usado no deepfake** para que ela também possa se proteger e alertar outros contatos.
4. **Denuncie o perfil ou número** usado pelo golpista nas plataformas (WhatsApp, Instagram, etc.).
5. **Monitore seu CPF** no Registrato do Banco Central (registrato.bcb.gov.br) para verificar se alguém tentou abrir contas ou contratar crédito em seu nome.
Fonte/referência: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/08/25/deepfake-caseiro-dispara-e-ira-nova-ameaca-de-golpes-e-fraudes-financeiras.ghtml
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