Seus dados de saúde — prontuário, diagnóstico, histórico de exames — são informações extremamente sensíveis. E eles podem estar nas mãos de criminosos sem que você saiba.
Em julho de 2026, a **Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD)** abriu um processo administrativo sancionador contra o **Instituto Saúde e Cidadania (Isac)** após um ataque de ransomware (sequestro de dados) ocorrido em 2025 que expôs registros de aproximadamente **500 mil pessoas** — incluindo cerca de 78.700 crianças e adolescentes e 48 mil idosos.
O processo apura falhas graves: a organização não protegeu adequadamente dados sensíveis como prontuários e diagnósticos, e não notificou individualmente os pacientes afetados. O Isac negou o vazamento, mas a ANPD apontou que a instituição não apresentou provas dessa afirmação.
Esse caso não é isolado. Entre janeiro e setembro de 2026, foram registradas **43 comunicações formais de incidentes de segurança** no setor de saúde no Brasil. As causas mais comuns: roubo de credenciais de funcionários, acesso não autorizado a sistemas e falhas de segurança em softwares hospitalares. Impressionante: **88% dos incidentes ocorreram em instituições privadas**.
O perigo real desses vazamentos é que criminosos usam os dados obtidos para aplicar golpes sofisticados — como o **golpe do falso médico**, em que ligam para familiares de pacientes internados usando informações reais do prontuário para parecer legítimos e pedir Pix urgente.
## Como se proteger
- **Compartilhe seus dados de saúde apenas com quem precisa saber.** Evite fornecer informações médicas desnecessariamente em cadastros online ou por telefone.
- **Descarte documentos médicos com cuidado** — rasgar ou destruir documentos com dados pessoais antes de jogar fora evita que caiam em mãos erradas.
- Se receber ligações ou mensagens de "médicos" ou "hospitais" pedindo pagamento urgente, **desconfie sempre**. Hospitais não cobram por procedimentos via Pix ou WhatsApp.
- Fique atento a comunicados do hospital onde você ou um familiar foi atendido — em caso de vazamento, a instituição tem obrigação legal de notificar os afetados.
- Ative a **verificação em duas etapas** em seus aplicativos de saúde e no portal Gov.br para dificultar o acesso não autorizado.
## O que fazer se você já caiu no golpe
1. Se você foi vítima de um golpe que usou seus dados de saúde, **registre um Boletim de Ocorrência** por estelionato na Polícia Civil.
2. **Contate seu banco imediatamente** para tentar reverter qualquer transferência via Mecanismo Especial de Devolução (MED).
3. Você pode **exigir reparação do hospital** que teve seus dados vazados, com base no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor — a instituição responde pelos danos causados por falhas na proteção dos seus dados.
4. Denuncie o vazamento à **ANPD** pelo site gov.br/anpd — isso ajuda a fiscalizar e punir instituições que não protegem seus dados.
5. Monitore seu CPF regularmente no **Serasa** ou no **Registrato** (Banco Central) para identificar movimentações suspeitas.
Fonte/referência: https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2026/09/hospitais-nao-pedem-pagamentos-por-telefone-veja-como-se-proteger-cmu4hrsho012k01591rclbojc.html
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