## O que aconteceu
Em agosto de 2026, o pesquisador de segurança Jeremiah Fowler descobriu um banco de dados do **SISVISA** — o Sistema de Informação em Vigilância Sanitária do Brasil — completamente aberto na internet, sem nenhuma senha ou criptografia.
O SISVISA é a plataforma usada pelas autoridades de saúde para fiscalizar hospitais, farmácias, restaurantes e outros estabelecimentos, além de emitir licenças sanitárias. Em outras palavras, é um sistema crítico do governo — e estava acessível para qualquer pessoa que soubesse o endereço.
O banco de dados continha exatamente **102.215 arquivos**, totalizando cerca de **79 GB de dados**. Qualquer pessoa poderia navegar pelas pastas chamadas "backups", "imports", "documentos" e "uploads" sem precisar fazer login.
Após a divulgação responsável pelo pesquisador, o acesso público foi bloqueado. Porém, nenhuma autoridade respondeu oficialmente, e não se sabe por quanto tempo os dados ficaram expostos nem se alguém os acessou antes da correção.
## Quais dados foram expostos
Os arquivos continham informações altamente sensíveis:
- **Nome completo, endereço e telefone** de pessoas físicas
- **CPF e CNPJ** (números de identificação fiscal)
- **Fotos de rostos e impressões digitais** (dados biométricos)
- **Cópias digitalizadas de CNH** e carteiras de identidade de médicos federais
- **Relatórios de inspeção sanitária** e registros de reclamações
- **Arquivos de backup** e documentos administrativos internos
Esse tipo de dado vai muito além de um simples cadastro: com CPF, foto e biometria, é possível se passar por outra pessoa, abrir crédito em seu nome ou criar golpes altamente convincentes.
## Como se proteger
Se você já teve contato com o SISVISA — seja como profissional de saúde, proprietário de estabelecimento ou cidadão que solicitou algum serviço de vigilância sanitária — vale redobrar a atenção:
- **Monitore seu CPF** regularmente em serviços como o Registrato (Banco Central) e o Serasa Consumidor para detectar movimentações suspeitas
- **Ative alertas de crédito** para ser notificado caso alguém tente abrir financiamentos ou cartões em seu nome
- **Desconfie de ligações e e-mails** que mencionem dados seus como CPF, número de licença ou informações de saúde — podem ser tentativas de golpe usando os dados vazados
- **Ative a autenticação em dois fatores** em todos os serviços que oferecem essa opção
- **Não clique em links suspeitos** recebidos por e-mail, SMS ou WhatsApp, mesmo que pareçam vir de órgãos de saúde
## O que fazer se seus dados foram expostos
1. **Registre um boletim de ocorrência** se perceber uso indevido dos seus dados (pode ser feito online na delegacia virtual do seu estado)
2. **Notifique a ANPD** (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) em gov.br/anpd caso identifique uso indevido das suas informações
3. **Entre em contato com a Anvisa** ou com a vigilância sanitária do seu município para saber se seus dados constavam no sistema
4. **Bloqueie seu CPF para crédito** junto aos birôs de crédito (Serasa, SPC, Boa Vista) se suspeitar de uso fraudulento
5. **Guarde evidências** de qualquer tentativa de golpe ou uso indevido dos seus dados para eventual ação judicial
Fonte/referência: https://securityaffairs.com/196766/data-breach/exposed-sisvisa-database-leaks-102000-brazilian-health-surveillance-records.html
Seus dados podem ter sido expostos?
Veja como agir rapidamente para se proteger.